sábado, 12 de julho de 2008

O lagarto


Franz Marc
Sob o sol
cáustico
repousa
o lagarto
sobre a pedra.

Não é feita
de tempo
a dormência
do lagarto.

Ali ele permanece
sem início
sem fim.

O lagarto
acostumou-se
à pedra
tão cinza
quantoas suas
escamas.

O lagarto
é a pedra
habituado
a lutar
contra
a noite
a chuva
o ar.

O lagarto
não soube
o que foi
a vida
entretanto
sua pele
reflete
a amplidão
das estrelas.

O lagarto
é flor
que não se soube
pétala
e perfume.

É lagarto simplesmente.

Coisa que não existe
que nunca existiu.

O lagarto
poderia
ser cântico
mas é grito
tão estridente
que não se ouve.

Quem olhar o lagarto
nada verá.

Ele é nada.

Um quinhão
de poesia
tão repleto
de poesiaque se fez
silêncio.

Coisa que ninguém sente
ninguém pega.

O lagarto
é um pranto
seco
tão seco
que poderia
ser lágrima.

2 comentários:

Assis de Mello disse...

Belíssimos os teus poemas, Alexandre !!!
Este aqui do lagarto é uma viagem pela terra do alumbramento.
Parabéns. Vou continuar vasculhando por aqui.
um abraço,
Chico

A musa adormecida disse...

Lagarto pedra e lágrima surpreendente.

Gostei muito...